sexta-feira, 15 de abril de 2011

Uma difícil despedida



Hoje é um dia muito triste pra mim e, ao mesmo tempo, de alívio. Durante 11 dias briguei com a morte e tentei resistir. Quando percebi que ela era mais forte, me revoltei, briguei. Mas não adiantou, ela venceu. 
Há gente que quando decide cuidar de um bichinho, gosta e se preocupa de verdade, vai até o limite do impossível porque ele cria status de gente, e a vida dele passa a ser a sua. Foi assim comigo e Neguinho. Pra mim, somente Nego. Ele veio da rua, abandonado, muito pequeno, um pingo de gato. Quem o resgatou não ficou com ele, e quem ficou nunca foi seu porto seguro de verdade.
Ele cresceu em uma vila, cercado de muita gente - mas só, e sem um lar de verdade. Convivia com outros felinos da vila e parecia ser feliz, pois era uma vidinha ao ar livre, com árvores, telhados. Adorava se espreguiçar pelo corredor. Ia muito ao meu Ateliê, que também era na vila, e sempre dava um jeito de conquistar o colo dos meus amigos e clientes. Nunca foi maltratado, e em raras vezes teve que ir ao médico.


Cheguei a levá-lo para tomar as vacinas anuais. Consegui convencer sua “dona” a fazer sua castração. Já alimentá-lo corretamente com ração adequada e de boa qualidade, era difícil. A “dona” dava-lhe ainda comida humana cozida, algo completamente não recomendável para o bichinho. Por este motivo, aprendeu a furtar e era um gatinho pidão.
Tudo devido à falta de cuidados de verdade. Eu ficava ali, à espreita, tentando passar cuidados pra ele. Difícil. Eu era apenas a titia dele. No meu ateliê, durante boa parte do dia – eu trabalhava em horário comercial -, ele tinha carinho, comidinha apropriada, colo e minha preocupação com seu futuro. 
Na vila ele morou uns seis anos, que é mais ou menos sua idade. Mas resolveram demolir a vila. Cada morador se mudou e levou seu bichinho. A “dona” do Nego, não. Ele foi então colocado pra adoção. Em minha casa tenho três felinos adultos e a convivência ficaria abalada.
Não pude levá-lo comigo. Dos moradores da vila, ninguém também se prontificou. Apareceram seis pessoas interessadas na adoção do Nego. Tinha que decidir por uma delas. Era muita responsabilidade.
Escolhi um lugar que achei melhor e onde eu pudesse estar por perto. Fiz a escolha da adoção sozinha e depois ainda sofri críticas pela decisão. Tinha gente que se preocupava, que tinha dó, mas, de prático, não fizeram muito por ele.
Nego passou por momentos difíceis. Adaptação, longe do lugar onde ele cresceu, longe das pessoas que o conheciam e que de alguma forma lhe davam atenção. Mas se adaptou. Já vivia pelos colos e estava tendo cuidados que nunca tivera antes. Quando eu não telefonava sua nova dona me ligava e pedia orientações sobre os cuidados com ele, como banho, alimentação, vacinação, etc. Fiquei feliz e tranquila. Agora ele tinha um lar de verdade.
Mas, de repente, ele adoeceu. Fui avisada e lá corri pra ver o que tinha acontecido. Estava abatido. Quando comia, vomitava, e não bebia água. Já estava medicado, mas muito prostrado. Procurei a veterinária que cuidou dele. Me disse que o Nego tinha Haemobartonela, um parasita que ataca o sangue e faz as plaquetas baixarem. É transmitido pela pulga. Isso foi num sábado.
Como estava sendo medicado, esperei até a segunda-feira seguinte para ver sua reação ao medicamento. Voltei a sua casa e ele continuava abatido, mais prostrado ainda. Decidi então levá-lo à médica dos meus “meninos”, que tem uma clínica mais estruturada.
Ela o examinou, verificou os exames e disse que a medicação estava correta. Mas ia substituir o remédio oral pelo injetável, porque ele não parava de vomitar. Fiquei animada, pois conheço esta médica há mais de 10 anos e confio nela.
Completou-se uma semana que Nego estava internado e nada de reação dele à medicação. Fizemos vários exames, novamente de sangue e de urina, ultrassonografia e nenhum deles indicava o que acontecia. A esta altura ele já estava no soro, pois não conseguia se alimentar, não ficava de pé e não reagia. Eu ia lá todos os dias. Quando ele não estava no soro, que era alternado pela dificuldade de pegar as veinhas, tomava sol com ele, fazia carinho, conversava... chorava.
Como ele não reagia aos antibióticos, a médica decidiu então pedir o exame de Aids felina (imunodeficiência felina e leucemia felina), pois não descobriam sua doença e ele não reagia ao tratamento. Infelizmente, deu positivo. Passei 11 difíceis dias com ele. Hoje (14/04/2011), ele se foi. Fiz o que pude e o que não podia para salvar sua vidinha. Mas não venci a morte. 
Obrigada ao Nego por ter tido a oportunidade de conviver com ele. Ao Ely, que me acompanhou e foi parceiro nos momentos mais difíceis. À Regina, que me ligava e ouvia meu chororô todos os dias. À Gil também, pela paciência comigo e por entender a minha revolta. Ao Ruy, meu marido, pela compreensão em casa. À Neide, que abriu sua casa pro Nego e lhe deu carinho e atenção. À doutora Adriana e equipe pela paciência comigo e determinação em salvá-lo. Todas eles conheceram o Nego e lhe deram carinho de alguma forma.

Além de muito triste, agora convivo com a dor da perda, com a frustração de não ter conseguido salvá-lo, e com a preocupação em quitar a despesa médica da clínica, de R$ 1.766,20. 
Tenho comigo todos os exames e tudo referente à tentativa de recuperação do Nego. Para ajudar, você me encontra na Av. Cristovão Colombo, 550 – sobreloja 19, das 13 às 19 horas, e pelo celular (31) 9982-3743.
Obrigada,
Cleo, a titia do Nego.

4 comentários:

Ishiaro disse...

NOSSA FIQUEI MUITO TRISTE POR VOCÊ E PELO NEGUINHO... FIQUEI MUITO EMOCIONADO, E DESCULPA NÃO PODER AJUDAR...

Carola Rodrigues disse...

Olha, conversei com o Fred e estamos chocados. Amanhã a gente se vê e conversa melhor.
Já a questão da conta do vet, vou tentar agilizar alguma coisa para ajudar.

enquanto dá disse...

Amiga, tenho um blog chamado Juntos Fica possível (http://juntosficapossivel.wordpress.com/)e tenho algumas idéias que podem ajudar você, quem sabe, e com isso ajudar a muitos. Também sou designer,gostaria de disponibilizar meus serviços para a Sociedade protetora dos animais (Fazer o site, quem sabe). Deixo nosso e-mail: juntosficapossivel@gmail.com
Um abraço e meus parabéns.

Janaina disse...

Comentarista aí de cima: Eu e alguns amigos (jornalistas e designers) tentamos, ano passado, fazer um site para a Sociedade Protetora dos Animais. Entramos em contato vááááááras vezes, ligamos, mandamos e-mails... mas eles nunca nos retornaram as ligações ou e-mails nem para dizer que não queriam. Ficamos bem chateados. Íamos fazer tudo de graça e ainda cuidar da presença deles nas redes sociais, nos moldes do que faz (com sucesso) o Adote Um Gatinho. Espero que você tenha mais sorte, pois eles precisam urgentemente de uma página que funcione. Abraços!